Rainhas, operárias, zangões. Cada uma com sua função. Umas têm como tarefa a postura dos ovos, outras a defesa da colmeia. Mas todas trabalham, em conjunto e de forma altamente organizada, para oferecerem o que há de melhor ao homem e ao meio ambiente. Por essas características, esses insetos, presentes na humanidade desde os tempos mais remotos, são bons exemplos de associativismo. Nem todos sabem, mas as abelhas são importantíssimas para a agricultura. Não apenas se responsabilizam pela produção do mel e dos demais produtos, como são fundamentais para a manutenção e para o desenvol - vimento da biodiversidade nacional, bem como são essenciais para a produção de alimentos. Isto se deve à ca - pacidade polinizadora desses insetos, que permite o aumento da disponibilidade de frutos e sementes para a manutenção dos ecossistemas. Algumas plantas dependem exclusivamente de animais polinizadores para sua reprodução, outras se beneficiam deles produzindo frutos de melhor qualidade. Considerada uma das grandes opções para a agricultura familiar por proporcionar o aumento de renda e a fi - xação do homem no campo, pela oportunidade de aproveitamento da potencialidade natural do meio ambiente e da sua capacidade produtiva, a apicultura está em franca expansão e precisa de estímulo e incentivo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o 11.º produtor mundial de mel e o 12.º maior exportador, conforme informações da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel). O Estado de São Paulo produziu, em 2013, pouco mais de 2.500 toneladas, produção modesta para a potencia - lidade do Estado. É fato que existe um grande potencial apícola (flora e clima) não explorado e a grande possibili - dade de se maximizar a produção em solo paulista. Para tanto, é necessário que o produtor possua conhecimen - tos mais específicos para aumentar a produtividade. Nesse contexto, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento tem investido, desde o final da década de 1920, em pesquisas e projetos realizados em parceria com entidades públicas e privadas, que levem à profissionalização da apicultura como atividade geradora de renda e emprego para as famílias rurais. A CATI, atenta ao movimento crescente da apicultura em São Paulo, tem incentivado os apicultores a se organi - zarem, visando à formalização da produção artesanal, com agregação de valor e maior inserção no mercado. Para tanto, além de orientação técnica, tem realizado a transferência de tecnologia por meio de capacitações, entre outras ações. Por meio do Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, associações e cooperativas de produtores familiares e de comunidades tradicionais têm sido beneficiadas com recursos para a aquisição de equipamentos e construção das chamadas Casas do Mel, áreas para o beneficiamento de produtos apícolas. Para contribuir com a difusão de conhecimento, em 2009, publicamos uma versão atualizada do Boletim Técnico 202 – Apicultura, importante material que auxilia os iniciantes e estimula os apicultores de longa data. A escolha do tema Apicultura para a primeira edição do ano demonstra a preocupação da instituição com o atual cenário mundial, no qual fatores climáticos e de interferência humana têm influenciado no desaparecimen - to das abelhas em países de todos os continentes. Nosso objetivo é trazer para o debate esse assunto tão impor - tante, que tem reflexos diretos na produção agrícola brasileira. Para ampliar as informações àqueles que estão na atividade e oferecer orientações aos que desejam iniciar, unimos artigos e reportagens que contêm dados sobre legislação, políticas públicas, mercado e comercialização, além de histórias de apicultores que diariamente praticam a arte de criar abelhas