A administração eficiente da vida científica, objetivando produzir com qualidade e na quantidade exigida; o manejo do tempo de forma adequada, visando a ser o mais produtivo possível, sem se sobrecarregar e deixar de ter vida pessoal; o gerar conhecimento e inserir suas conclusões na comunidade, fazendo com que sejam aceitas e utilizadas por outros, são todas ações exigidas dos cientistas na atualidade. O artigo é o tipo de publicação preferido pela comunidade acadêmica em se tratando de produtividade, avaliação positiva e publicação de ciência para a tomada de decisão, tanto na prática profissional quanto na gestão pública. Todos os temas mencionados são muito bem explorados no livro aqui prefaciado. Por isso, é uma honra apresentar uma obra tão valiosa. Quando a velocidade na geração do conhecimento científico já não permitia a demora em publicar o livro, “nasceu, por sua vez, a conscienciosa invenção do artigo científico, meio de transmitir e preservar os conhecimentos que passavam a crescer com rapidez maior do que a que permitiria transpô- -los para a forma de livros” (Price, 1976, p.101). Estava dada a largada para a explosão dos periódicos, tal qual observamos hoje. Entretanto, a qualidade não acompanhou o exponencial crescimento do número de artigos publicados, e estratégias foram desenvolvidas para suprir a falha na formação dos cientistas em relação à redação do artigo. Uma das mais antigas estratégias para a melhoria da qualidade dos artigos é o sistema de revisão por pares (peer review). Os revisores são juízes encarregados de avaliar a qualidade do produto científico, pois avaliam seus pares e distribuem as recompensas (Davyt & Velho, 2000). No caso do artigo, a recompensa é a aceitação para publicação. A revisão por pares tem como objetivo julgar o mérito científico dos manuscritos submetidos à publicação. O processo visa a verificar se o tema é relevante e original, se o método é adequado diante dos objetivos propostos e se o texto fornece informações, argumentos e interpretações que constituam apoio suficiente para as conclusões. Além do forte investimento que é feito no processo de revisão por pares, cursos de redação de artigos são oferecidos nas principais universidades do Brasil e livros que orientam sobre a escrita científica são publicados em grande escala. Este Manual de produção científica vem somar-se a tais esforços para a formação profissional, bem como para instrumentalizar os autores da área com informações atuais e oportunas.