A pneumonia necrotizante (PN) e o abcesso pulmonar (AP) são complicações raras da pneumonia da comunidade (PC) bacteriana, mas que condicionam elevada morbilidade e mortalidade. Os principais microorganismos associados a PN e AP são Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. Dada a gravidade das complicações, a cirurgia é frequentemente essencial para o sucesso terapêutico. Descrição Homem de 57 anos, com antecedentes de cardiopatia valvular e tabagismo activo. Admitido por toracalgia pleurítica à direita, tosse e expectoração muco-purulenta com 5 dias de evolução. À admissão encontrava-se febril, polipneico, com murmúrio vesicular diminuído e fervores crepitantes na base direita. Apresentava parâmetros inflamatórios aumentados, insuficiência respiratória parcial e hipotransparência da base direita na radiografia de tórax. Admitiu-se PC hipoxemiante e iniciou amoxicilina/ácido clavulânico e claritromicina, isolando-se Klebsiella pneumoniae em hemoculturas. Apesar da terapêutica dirigida manteve febre diária, toracalgia e expectoração hemoptóica. A reavaliação imagiológica mostrou abcesso lobar inferior direito de grandes dimensões, condensação da base direita quase difusa e empiema loculado. Alargado espectro de antibioterapia, sem melhoria clínica, analítica e imagiológica após 26 dias de terapêutica dirigida, pelo que foi submetido a descorticação pulmonar/lobectomia. A evolução desfavorável da PC apesar do tratamento é um problema comum, podendo estar relacionada com factores do hospedeiro e suas comorbilidades, resistências antibióticas, e desenvolvimento de PN e AP. Na presença de complicações com perpetuação de alterações estruturais pulmonares, o prognóstico é desfavorável mesmo com a instituição precoce de antibioterapia dirigida, carecendo de intervenção cirúrgica mutilante para adequado controlo do foco infeccioso, como se verificou neste caso clínico