O fenómeno da globalização trouxe várias mudanças quer a nível político quer a nível económico. A liberdade de circulação de pessoas e bens, a criação de grandes espaços, o crescimento das empresas a nível internacional são sinais evidentes do fenómeno da globalização (Xavier, 2001). A liberdade de circulação de pessoas e bens ofereceu novas oportunidades de negócios, o que levou muitas empresas a operar em vários países, levando à sua internacionalização. Mas infelizmente como disse Carsberg: “São raras as pessoas que trabalham em empresas multinacionais, e que estão algo envolvidas nos seus sistemas contabilísticos, que não tenham pensado quão bom seria se existisse uma linguagem contabilística universal (….). Os contabilistas vivem numa espécie de Torre de Babel onde se falam línguas diferentes e onde diferem as 250 interpretações dos mesmos eventos e transações” (Carberg, 1999, p. 6). Deste modo, surgiu a necessidade de uma maior harmonização contabilística de forma a incrementar a compreensibilidade, comparabilidade, relevância e fiabilidade da informação financeira, assim como de reforçar a transparência dos mercados, estimular investimentos e reduzir os custos (Borges, Rodrigues, & Rodrigues, 2010). Esta exigência levou os órgãos internacionais de regulação da contabilidade a implementarem um conjunto de normas internacionalmente aceites de modo a que a mesma informação financeira transmite a mesma mensagem tanto aos utilizadores estrangeiros como nacionais. Assim, a normalização contabilística passa a ser um instrumento de redução das diferenças das práticas contabilísticas existentes, para permitir a comparação das informações financeiras. No âmbito desta preocupação, foi publicado em Portugal, em 13 de julho de 2009, através do decreto-lei nº 158/2009, o novo modelo de normalização contabilística que entrou em vigor no dia 1 de janeiro de 2010 e que visa a redução das diferenças entre as práticas contabilísticas portuguesas das normas internacionais de Contabilidade. Com este novo normativo, a Comissão de Normalização Contabilística (CNC) decidiu aproximar o seu sistema contabilístico ao normativo internacional. O sistema de normalização contabilística criado contempla um conjunto de normas de Contabilidade 2 que tiveram por base as normas internacionais do International Accounting Santandard Board (IASB). Até à data, em Angola pouco foi feito quanto à implementação de um sistema de normalização contabilística. As normas contabilísticas aplicáveis têm até agora assumido um carácter legal, e nesta fase, face às inúmeras alterações a introduzir, encontra-se desajustado em relação à informação que deveria ser produzida com base nas normas internacionais. Com o fim da guerra civil em Angola, assistiu-se, por um lado, à entrada de várias empresas portuguesas no país e, por outro lado, muitas foram as empresas angolanas a investirem em Portugal, assim como, empresas nacionais a abrirem o seu capital à entrada de novos investidores externos. As diferenças existentes entre as normas, procedimentos e princípios contabilísticos entre os dois países acabam por causar conflitos no relato financeiro motivado pela falta de comparabilidade. Deste modo, este trabalho justifica-se pela atualidade do tema, dado que existem poucos estudos que abordem este tema tanto em Angola como em Portugal. Em Angola, com o renascer do desenvolvimento económico e a perspetiva de criação de um mercado de bolsa de valores torna-se necessário que o país acompanhe a evolução contabilística registada a nível internacional. A escolha de Portugal tem a ver com vários fatores: i) o ritmo crescente das oportunidades de negócios entre os dois países; ii) a língua; iii) a história, dado que estes dois povos estiveram sempre ligados; e iv) Portugal foi sempre considerado como modelo dominante em Angola no que se refere ao normativo contabilístico