Este verdadeiro manual de exegese bíblica se ocupa também da hermenêutica, assim como a viemos exercitando, procurando e anseando na América Latina. Em ambos os campos —■ no da exegética e no das abordagens hermenêuticas — é competente e pedagogicamente consistente. Leitoras e leitores terão alegria em manuseá-lo em seus estudos bíblicos e em sua aprendizagem exegética. Irá facilitar-lhes o acesso à terminologia nesta área do conhecimento e irá desafiá-los em suas perguntas hermenêuticas. As abordagens hermenêuticas encontram-se no final. Tratam de alguns enfoques, sem pretender esgotar o assunto. Estão aí para convidar leitores e usuários deste belo livro a dar especial atenção à perspectiva a partir da qual olhamos para trechos escriturísticos e em direção da qual desejamos que passagens bíblicas nos conduzam. Afinal, quem lê, lê de seu jeito. Lê a partir de seu lugar. Lê para mover-se em seus caminhos. Tem emoções que são bem suas. Lê e, lendo, vê para onde quer ir, como se estivesse em ponto de ônibus. Por isso é preciso ler, reler, meditar, pesquisar, conversar, dialogar. Pois sem isso, os textos podem se fechar. Tornam-se ocos. Sem perguntas, a tendência é não sair-lhes som nem melodia. Por isso, é tão bom cuidar da hermenêutica como exercício da distância, da pergunta, da invenção, do compartilhar, como exercício da consciência crítica. Óticas diversas ou jeitos de ler variados tornam-se mais autênticos quando feitos à moda da partilha, do compartilhar. Quando as vozes são várias, as ênfases se fazem mais coloridas. Pds o segredo que torna a Bíblia — livro muito velho — tão interessante. Nesse sentido, Cássio, de verdade, foi muito.