Diante de tal quadro bastante complexo, é fundamental a realização de debates entre os estudiosos dedicados às reflexões do campo da geografia econômica e da economia política, para que se possa identificar as estratégias dos diferentes segmentos do capital, examinar os diversos processos socioespaciais em curso, compartilhar trilhas de pesquisa e qualificar os referenciais analíticos. Há que se pensar nas transformações no capitalismo mundial e na produção social do espaço em diferentes escalas, por meio dos entendimentos dos novos arranjos territoriais e da intepretação crítica da economia política do desenvolvimento. Espaço e Economia: geografia econômica e a economia política é uma contribuição à disseminação das pesquisas, estudos e debates sobre as políticas territoriais, por meio da compreensão de uma renovada agenda de investigações no campo da geografia econômica, que invoca a atualização e a ampliação de debates sobre o mundo do trabalho, a produção industrial, a distribuição, troca e consumo de mercadorias refetichizadas, a utilização da natureza-recurso-território e a própria localização, impacto e transbordamento dos empreendimentos fabris, mas também reverbera os novos processos de desenvolvimento local- -regional; as concretudes e imaterialidades do conhecimento, da inovação e da tecnociência; os veios logísticos e a constituição de novas redes de contato, de espoliação e de poder; a governança conciliada entre Estado e mercado; o fenômeno metropolitano e a formação de novos nexos e constelações urbanas; e a financeirização em suas diversas frentes, com suas novas frações de capital, movimentos setoriais e interconexões. Torna-se, assim, objetivo central desta obra debater as bases econômicas e políticas e a organização e as delimitações territoriais recentes, extraindo das discussões recursos analíticos para a compreensão da relação espaço e economia na contemporaneidade, por meio da interlocução de pesquisadores brasileiros e da América Latina dedicados à temática. Assim, a geografia econômica aqui tratada extrapola por completo o mapeamento dos recursos em prol da ideologia industrial e o entendimento do espaço geográfico como fator de produção, localização privilegiada ou área para espraiamento de mercadorias. O que se pretende aqui é um verdadeiro entrelaçamento teórico entre geografia econômica e economia política, que perpassa uma obrigatória leitura crítica atual das determinações abstratas do sistema vigente, das relações entre EsEspaco-e-economia.indd 10 11/08/2019 13:58:52 Apresentação 11 tado e mercado – mais complexas, ainda que não surpreendentes, em tempos de neoliberalismo espraiado combinado com um conservadorismo político –, das diferenças internas à sociedade, da atual divisão internacional do trabalho e da própria e infindável atmosfera de crise que assola o capitalismo contemporâneo. Os capítulos reunidos neste livro foram apresentados nas mesas que compuseram o III Colóquio Espaço-Economia: “Transformações no capitalismo mundial e a produção social do espaço: novos arranjos territoriais e a economia política do desenvolvimento”, realizado nas instalações da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, entre os dias 10 e 12 de junho de 2019, sob nossa organização. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e capitaneado institucionalmente pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana (PPFH-UERJ), pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRRJ (PPGGEO-UFRRJ), pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da UERJ (PPGEO-UERJ) e pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense – Campos dos Goytacazes, H-UERJ s: de 2019. ntes mesascuaç entre Estado e Mercadorestalque ainda que este colóquio apresentou quatro eixos temáticos centrais: 1) Reestruturação espacial e desenvolvimento econômico-regional, 2) Redes técnicas e organização social do território, 3) Produção do espaço e espoliação imobiliária no mundo contemporâneo, e 4) Desenvolvimento e crise no capitalismo contemporâneo. Afinal, 1. o atual movimento de reestruturação espacial engendra hegemonicamente uma reformulação territorial-produtiva, com o acerto do tempo do negócio fabril e o just-in-time imposto à mercadoria e ao trabalhador – a discussão do mundo do trabalho, à luz da geografia econômica, torna-se central. Isto implica o consumo dos bens que já nascem obsoletos ou do próprio território, conjugando a adoção (ou abandono) da sustentabilidade em detrimento da obliteração acelerada da natureza. Ajustando homem e natureza, tempo e espaço, tecnologia e necessidades produtivas, o desenvolvimento se consolida em bases regionais, por meio da conjugação de estratégias Espaco-e-economia.indd 11 11/08/2019 13:58:52 12 ESPAÇO E ECONOMIA de diferentes atores públicos e privados e da revigoração das potencialidades endógenas nesta escala geográfica; 2. em tempos de transformações e renovações técnicas e reconfiguração de redes produtivas, comerciais e informacionais que lhe sustentam, o território se destaca como a categoria cada vez mais presente e central nos estudos econômico-espaciais, pois na atualidade o papel da ciência, da tecnologia e da informação produz novos recortes territoriais, que exigem redefinir nossos parâmetros analíticos para melhor compreendermos as múltiplas determinações econômicas e sociais presentes no espaço. Torna-se mister a discussão sobre transporte e logística, redes portuárias e de tráfego aéreo, comunicações e informações;