Na presente obra busca-se verificar junto à sociedade, por meio de pesquisa de campo, sob qual ótica da ideologia feminista o aborto deve ser legalizado. Trata-se de tema polêmico e discutido com intensidade atualmente, dada a delicadeza da decisão e consequência da legalização, a morte do ser humano em desenvolvimento. O direito à vida é tido como essencial e protegido mundialmente, sendo considerado de modo geral o direito mais importante a ser observado, integrando e sendo imprescindível à dignidade da pessoa humana. No entanto, não há direitos absolutos e nesse caso não poderia ser diferente. As mulheres ao longo dos anos vêm conquistando e tendo reconhecidos a si direitos e princípios fundamentais, dentre eles os direitos à liberdade sexual e reprodutiva da mulher, à autonomia de decisão e à igualdade entre gêneros, de forma que as feministas buscam a total liberação do aborto como forma de liberdade em atenção, também, à dignidade da pessoa humana. Tais direitos, assim como o direito à vida, também são reconhecidos internacionalmente e já foram discutidos em diversas conferências mundiais, havendo um conflito de princípios e direitos fundamentais, os quais não podem deixar de existir ou serem descartados, mas devem ser confrontados e pesados. Assim, o trabalho foi desenvolvido em quatro capítulos, no primeiro são abordados o conceito, evolução histórica, tipificação e características penais, além das formas atualmente permitidas do aborto no Brasil. Em seguida confrontam-se os direitos ora em discussão, apresentando-se tanto o posicionamento dos Pró-vida (contra o aborto) quanto dos Pró-escolha (a favor do aborto), apresentando-se de que forma tal celeuma pode ser dissolvida. Por fim, é apresentada a pesquisa e análise dos dados coletados entre 266 participantes do público em geral do Distrito Federal, abordando-se aspectos de ambos os posicionamentos com o intuito de se chegar à verdadeira opinião social em relação à interrupção voluntária da gravidez. Os resultados foram bastante satisfatórios, permitindo-se definir bem o entendimento da sociedade em relação ao tema, o que leva a crer que em alguns aspectos são favoráveis à legalização, principalmente no tocante às formas já permitidas, havendo certa tendência à aprovação no que se refere à descriminalização em casos de graves anomalias ou doenças incuráveis e reprovabilidade no tocante à liberação por vontade da mulher até a décima segunda semana.