No contexto atual da educação pública portuguesa, fatores relacionais e de afetividade exaltam matizes delicadas que instigam os educadores a repensarem e a reorganizarem formas de intervenção pedagógica em prol de educar a sexualidade e os afetos em meio escolar. Por entre modalidades de intervenção mais próximas ou mais distantes, elas próprias adquirindo sentidos diversos de acordo com as moralidades e as gramáticas que conformam as dinâmicas educativas, a pesquisa que dá corpo a esta tese versa o trabalho de composição praxeológica, em torno das representações e da pluralidade de sentidos que os educadores conferem à ação de educar a sexualidade e os afetos, articulando-o com as formas de apropriação reajustada pelos alunos. Ações que atravessam distintos cenários educativos e levam à ativação de juízos críticos acerca daquilo que os mesmos consideram (boas) práticas educativas neste domínio. No decurso deste intento, mobilizámos um conjunto diversificado de técnicas de recolha de dados através de uma abordagem essencialmente etnográfica, articulada com uma teorização pragmática das tensões, conflitos, dilemas e controvérsias que observámos no terreno. Tal abordagem usufrui em larga medida da implementação do aparelho conceptual da sociologia dos envolvimentos, desenvolvida por Laurent Thévenot.