Há anos, perguntava-se a deputados de um certo estado norte americano: “Onde estão situados os genes?” Parte significativa das respostas dizia: “na cabeça”. Não pode censurar-se a resposta por ela ser depreciativa; na verdade, o local indicado tem a sua dignidade ou, pelo menos, há pior. Outra parte dos inquiridos respondeu: “no corpo”. Convenhamos em que a resposta, apesar de genérica e muito defensiva, não deixa de estar certa. E, afinal, o corpo é um lugar bastante razoável para guardar os nossos genes... Interessa-me sublinhar que respostas deste tipo poderiam ser dadas em todo o mundo, até hoje, mostrando uma certa ignorância generalizada relativamente a uma área científica que irrompeu pelos tratados e pelos laboratórios sem pedir licença, com uma taxa de crescimento enorme, e que alterou irreversivelmente a prática clínica.