Engolida pela peleja político-partidária que a distorce, a questão agrária no Brasil tem vários dos seus aspectos fundamentais e mais dramáticos relegados a um plano secundário e, não raro, completamente ignorados. Hoje, no debate político mais aceso e mais visível, estamos muito mais em face de impugnadores da política agrária do que de defensores da reforma agrária e de políticas sociais que abram ou consolidem uma alternativa de vida e alternativa histórica para as populações que associam seu destino tanto ao mundo agrícola quanto ao mundo rural que com ele não se confunde necessariamente. Os autores e agentes de políticas públicas, no entanto, se defrontam com aspectos dos problemas sociais que não se reduzem aos termos do código fácil das soluções tagarelas e de bolso. São problemas complicados.