Ideias, ideias novas. Em todos os níveis culturais — desde os círculos intelectuais mais sofisticados até o homem comum, que só teve acesso a uma modesta instrução — se reclamam por ideias novas. O pensador espanhol Julian Marias, em uma conferência realizada em 12 de julho de 1983, em Buenos Aires, comentou a melancólica tristeza que me produz a decadência intelectual do mundo” e assinalou como causa dos problemas cruciais da humanidade a utilização, em todos os níveis, de ideias arcaicas, que não têm mais nada a ver com nossa realidade atual”. Políticos, jornalistas, economistas, escritores, pensadores de todas as correntes, juntam suas vozes a esta declaração. Antecipando-se a estes comentários e aos de outros pensadores que cito aqui, Ayn Rand, em conferências proferidas nas Universidades de Yale, Brooklin e Columbia, em 1960, pronunciou-se severamente a esse respeito, dizendo: nunca antes o mundo clamou tão desesperadamente por respostas a problemas cruciais, “e nunca antes o mundo se apegou tão freneticamente à crença de que não há respostas possíveis”. Vivemos um tempo de transição, o momento de uma grande mudança. Como disse C. W. Ceram — autor de Deuses, túmulos e sábios — em sua obra Yestermorrow: “... com o século vinte está se acabando um período da história da Humanidade que abarca cinco milênios”. Opondo-se a Oswald Spengler e a seu conceito de que o Ocidente está terminando, a nossa situação não se assemelha à de Roma do começo da era cristã, mas sim à do homem de 3.000 anos antes de Cristo. Da mesma forma que o homem pré-histórico, levantamos os olhos e enfrentamos um mundo completamente novo. Um sistema de vida vai chegando ao fim e um novo surge, adequandose à realidade e às necessidades de hoje. Todos nós notamos que as respostas tradicionais, que nunca solucionaram nada, deixaram de ter qualquer efeito; que fazem falta conceitos novos, sólidos, coerentes, que ponham fim à defasagem intelectual entre o colossal avanço tecnológico e o confuso conjunto de ideias atávicas que o homem moderno continua aceitando somente por tradição.