A constituição de um campo de conhecimento pressupõe, necessariamente, a utilização de uma linguagem específica: seja através de empréstimos de termos de outras áreas, por meio da criação de neologismos, da ressemantização, restrição ou ampliação do sentido de alguns termos, da mudança de referenciais de outros. Essa linguagem também é responsável pela consolidação do campo de conhecimento, pela possibilidade de diálogos entre áreas distintas, pela própria legitimidade do campo. Nas palavras de Émile Benveniste, lingüista francês, em uma versão bastante contundente: “A constituição de uma terminologia própria marca, em toda ciência, o advento ou o desenvolvimento de uma conceitualização nova, assinalando, assim, um momento decisivo de sua história. Poder-se-ia dizer que a história particular de uma ciência se resume na de seus termos específicos. Uma ciência só começa a existir ou consegue se impor na medida em que faz existir e em que impõe seus conceitos, através de sua denominação. Ela não tem outro meio de estabelecer sua legitimidade senão por especificar seu objeto denominando-o, podendo este constituir uma ordem de fenômenos, um domínio novo ou um modo novo de relação entre certos dados. O aparelhamento mental consiste, em primeiro lugar, de um inventário de termos que arrolam, configuram ou analisam a realidade. Denominar, isto é, criar um conceito, é, ao mesmo tempo, a primeira e a última operação de uma.