Diante da proposta de muitos grupos ativistas de “exôdo” e saída em massa das plataformas e redes sociais fechadas e coorportivas (Google, Facebook e outras por vir) que nos submetem a um novo regime de expropriação, monetizam nossas conexões afetivas, monitoram nossas redes de relações, se apropriam de nossa inteligência, tempo e vida, uma questão surge de forma perturbadora: mas e se a revolução e a resistência começarem por aí? Afi nal, as revoltas e as mudanças no capitalismo fordista não vieram justamente de espaços de lutas e assujeitamento? As redes sociais e plataformas não são, no capitalismo cognitivo, o equivalente ao chão de fábrica fordista? A provocação tem como objetivo explicitar o que seja talvez uma das questões mais difíceis do presente urgente: como afi nal se movimentar e resistir “de dentro” dos poderes, como lutar “de dentro” do capitalismo sabendo que, por exemplo, diante de empreendimentos corporativos que capitalizam o comum, sempre podemos contrapor a multidão (Primavera Árabe, 15M na Espanha, Occupy Wall Street, os protestos de junho de 2013 e manifestações em todo o Brasil) que vem “hackeando” os sistemas de monetização da vida e se apropriando de suas ferramentas e tecnologias para produzir resistência, turbulências, desvios, invenções. Este livro, lançado em meio à turbulência, faz uma história do presente e trata destas novas lutas e embates recorrentes, em 10 que não há lugar para dualismos e maniqueísmos, ao contrário, busca reposicionar e analisar as conexões entre o mundo digital e analógico, as redes digitais e a multidão nas ruas, a linha que conecta a contracultura, as lutas antidisciplinares dos anos 60 e 70, a cultura digital, o ativismo hacker, as narrativas midialivristas, as demandas por governança, a democracia participativa, o fi m da cultura do segredo. Estamos falando de um momento de codependência entre diferentes campos e de reconfi guração conceitual e política.